Casa da Madeira, quando tudo começou

O ano é de 1945, Mosqueiro ainda vicejava o período áureo da borracha e o número de ilustres moradores que buscavam refugiu na elegante e charmosa ilha crescia. Um desses apaixonados foi Waldemar Raimundo de Almeida e sua esposa Dionízia Lira de Almeida.

A Casa 5 Bocas, situada na confluência da Avenida 16 de Novembro com a 4ª Rua foi aonde começou a saga dos Almeidas em Mosqueiro. O comércio mantém até hoje as mesmas características da época, porém, não pertence mais à família. Nesse período Waldemar Almeida que era Cearense e tinha 38, trabalhava com vendas pelo Marajó, era do tipo caixeiro viajante, voltava à bucólica nos finais de semana utilizando ainda o antigo aeroporto enquanto viajava sua esposa Dionízia tomava conta do comércio onde se vendia de tudo, menos madeira.

Certo dia, inusitadamente, uma família que acabara de perder um ente querido precisou de tábuas para construir o caixão e como na época não existia na ilha serraria e nem funerária, ficou sabendo que o casal Almeida possuía algumas tábuas as quais seriam utilizadas em obras no seu comércio, os familiares logo resolveram tomá-las emprestadas com D. Dionízia.

Diante da dificuldade para conseguir este tipo de material para saldar o empréstimo, os familiares resolveram pagar em dinheiro. Quando Waldemar chegou de viagem D. Dionízia contou-lhe o ocorrido, foi aí que nasceu a idia de vender madeira. O aumento da demanda para o novo produto foi tanto que o casal adquiriu em 1949 um imóvel às margens do Rio Pratiquara e aos poucos instalou a primeira serraria da história de Mosqueiro, a Serraria Nª Sª de Nazaré.

Na época as serras das máquinas eram movidas a vapor produzido por imensas caldeiras, as primeiras toras de madeira Waldemar ia buscar na comunidade do Araçagi e na cidade de Santo Antônio do Tauá na Serraria do Sr Antônio Pinto, situada Porto de Santa Maria, na Vila do Prego. A viajem era feita de canoa a remo e durava de dois a três dias, seu parceiro de viajem era Inácio Tajura. O começo foi difícil e outras figuras participaram do início desta construção como: Manoel Valente Lira, Lauriano, João Santino e seu Minguito, este conta que certa vez durante o trabalho encontrou um martelo boiando as margens do igarapé.

Homem empreendedor, Waldemar chegou a possuir 220 casas na ilha, muitas das quais alugava e depois vendia. Seu Carlos Almeida, filho de Waldemar, relembra emocionado as dificuldades da época, ele chegava a ir de bicicleta até a Baía do Sol para distribuir café torrado para o seu pai, colaborando com os negócios da família.

Os assuntos culturais e esportivos da comunidade mosqueirense também foram preocupações do Sr Waldemar Almeida que sempre procurou colaborar com fatos de relevância para a ilha que certa forma marcaram histórias no Mosqueiro, vale destacar a construção da capela de Santa Rosa de Lima, no Caruarú, há mais de 50 anos.

Waldemar faleceu no dia 20 de setembro e 1983, aos 62 anos de idade, populares, amigos e funcionários da grande mestre compareceram massivamente ao seu velório, em reconhecimento à sua importância social os deputados Célio Sampaio e Vicente de Queiroz também compareceram representando o Governador do Estado e o Deputado Federal Oswaldo Melo. A multidão dispensou o carro fúnebre, agarrou a alça do caixão e o conduziu o corpo de Waldemar até a igreja Matriz da Vila onde foi realizada uma missa de corpo presente e depois em cortejo seguiu até o cemitério São José.

Dos oito filhos do empresário, alguns continuam no negócio e outros desempenham atividades empresariais diversas, hoje à frente da empresa é capitaneada pelo filho mais velho de Waldemar o senhor Carlos Alberto Lima de Almeida, conhecido popularmente como Caíta e suas duas filhas, Carla Almeida e Denise Almeida.

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